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Uruguai: curiosidades que chamam a atenção

Esse início foi um mundo de descobertas. A vida continua, e a gente tem que fazer valer a pena. Como tudo era novo, muitas coisas chamaram a atenção ao longo desses dias que vivemos no país de Pepe Mujica. Como aproveitamos a segurança de caminhar no Uruguai! A gente andava até altas horas da noite, às vezes para descobrir um bairro, às vezes porque não tínhamos dinheiro pra pegar táxi. Pegamos o feriado da Semana do Turismo. No Brasil conhecida como “Semana Santa”, da festividade católica de Páscoa. O Uruguai é um país onde cerca de 50% da população declara não ter nenhuma religião e isso se reflete em um respeito muito maior pela espiritualidade de cada um. Se você quer ter a sua religião: OK, você é livre. Mas o Estado não vai te empurrar dogmas goela abaixo via calendários e procedimentos administrativos ou legislações. Vide a questão do aborto e do uso recreativo da cannabis que lá são permitidos. E nem por isso a sociedade é mais violenta.
Claro que quando se olha de perto, o buraco é sempre mais embaixo, mas uma tarde paramos para conversar com o dono de uma loja de suprimentos para quem vai plantar sua própria cannabis em casa e ele disse que com a descriminalização do uso, as pessoas que usam puderam ter paz. Afirmou várias vezes que ninguém vai te importunar e nem te olhar atravessado se você estiver plenamente fumando o seu na rua. Algo ainda utópico no Brasil.
Outra coisa curiosa é que apesar de a desigualdade socioeconômica ser muito menor do que no Brasil, as coisas no Uruguai são caras. Caras mesmo, caras para eles, eles admitem isso a todo momento. Mas mesmo assim, como há uma grande parcela da população que ganha bem ou o suficiente para ter uma vida digna, não há pobreza no nível que nós conhecemos e avistamos aqui…não que não tenha, mas lá é num nível muito menor.
Algo que gostávamos de observar era os uruguaios à beira do rio-mar na orla, tomando seu mate. A contemplação, a vida passando devagar e a curtição do vento frio com a quentura do mate… Gente, pra mim era algo totalmente novo “aproveitar a praia” assim… todo coberto, passando frio! Cultura é um negócio muito doido mesmo! Sempre descíamos correndo pela rua José Vázquez Ledesma passando pelo bucólico Parque Villa Biarritz até a orla e no final fazíamos um treino funcional ali por perto do Castelo do Alquimista onde avistávamos a praia de Punta Carretas de um lado e a de Pocitos do outro.
Outra coisa cultural muito presente no dia a dia uruguaio é a carne. Não teve um só momento em toda a nossa estadia no Uruguai em que, caminhando pelas ruas, a gente não sentisse cheiro de churrasco assando. E como comer em restaurantes foi algo que fizemos pouco lá, Paulo decidiu comprar uma carne para assar em casa, de forma bem simples.
Assou no forno só no sal. Sem receita, sem temperos diferentes. E até hoje diz que foi a melhor carne de vaca (e não de boi como no Brasil) que já comeu. Eu acredito. Apesar de evitar ao máximo comer carnes de animais, vez ou outra eu provo. E falando da comida uruguaia, surpreendentemente é muito boa! Digo surpreendentemente porque nas experiências que tive em lugares frios, geralmente a comida é mais sem tempero e pouco agrada meu paladar. Mas tudo que comemos no Uruguai tava gostoso! Inclusive, logo depois de lá, moramos um tempo na Argentina e sempre comparávamos a comida com a uruguaia…e em nosso humilde veredito tanto a carne quanto o alfajor do Uruguai são melhores que os argentinos…sem qualquer rixa com os Hermanos, tá? Agora vinho, provamos sim (CLARO!), mas nessa os Hermanos saem na frente…

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